Escritura de Imóvel: Quanto Custa, Como Fazer e Quando É Obrigatória
O comprador assina o contrato, paga o financiamento, recebe as chaves. Semanas depois descobre que o imóvel ainda não está no seu nome porque a escritura não foi registrada — ou pior, foi feita num valor errado que vai gerar cobrança adicional de ITBI. A confusão entre escritura e registro de propriedade é um dos problemas mais comuns na compra de imóvel no Brasil.
Escritura ≠ Propriedade
Essa é a regra mais importante do sistema imobiliário brasileiro: a escritura pública não te torna dono. Ela é um documento oficial que formaliza a vontade das partes de comprar e vender, lavrado no Tabelionato de Notas. Tem máxima validade jurídica como prova da transação — mas a propriedade só se transfere com o registro da escritura na matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (CRI).
Você precisa dos dois: escritura + registro. E eles são cobrados separadamente, em cartórios diferentes.
Quando a Escritura Pública É Obrigatória
O Código Civil (Art. 108) exige escritura pública para imóveis cujo valor ultrapasse 30 vezes o salário mínimo vigente. Com o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, o teto de isenção é R$ 48.630.
Na prática, isso significa que praticamente todos os imóveis transacionados no mercado exigem escritura pública — a exceção fica para transações de baixíssimo valor em contextos muito específicos.
Exceção importante: Contratos de financiamento bancário (Caixa, Itaú, Bradesco, BB, Santander) emitidos dentro do Sistema Financeiro da Habitação têm, por lei, força equivalente à escritura pública. Nesse caso, o contrato bancário substitui a escritura e vai direto para registro no CRI, sem necessidade de passar pelo Tabelionato de Notas. Isso simplifica o processo e reduz custos para quem financia.
Quanto Custa a Escritura Pública
O custo da escritura pública é composto pelos emolumentos tabelados por lei estadual. Cada estado tem sua própria tabela, definida pela Assembleia Legislativa e fiscalizada pelo Tribunal de Justiça. Não há valor único nacional.
Em termos gerais, os emolumentos do Tabelionato de Notas para lavratura da escritura costumam ficar na faixa de 0,5% a 1% do valor do imóvel, dependendo do estado e da faixa de valor. Para um imóvel de R$ 300.000 em São Paulo, a escritura pode custar entre R$ 1.500 e R$ 3.000 no Tabelionato — antes de qualquer desconto.
Free Download
Get the Brazil — Quick-Start Checklist
Everything in this article as a printable checklist — plus action plans and reference guides you can start using today.
O Desconto de 50% que Você Pode (e Deve) Exigir
Aqui está o benefício que a grande maioria dos compradores desconhece — e que os cartórios raramente informam voluntariamente.
O Art. 290 da Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/1973) determina que os emolumentos do Cartório de Registro de Imóveis (e por extensão o Tabelionato) devem ser reduzidos em 50% quando:
- É a primeira aquisição imobiliária da pessoa
- A compra é feita via Sistema Financeiro da Habitação (SFH) ou programa vinculado (MCMV)
- O imóvel destina-se à moradia própria
Esse desconto não é automático. Você precisa solicitar expressamente e assinar uma declaração afirmando, sob as penas da falsidade ideológica, que se trata da sua primeira aquisição imobiliária e que o imóvel é para moradia.
Se o cartório aplicar o valor cheio sem perguntar, você tem o direito de pedir o desconto antes de pagar. Se já pagou o valor cheio sem saber do benefício, é possível entrar com pedido de restituição.
Atenção: O desconto é nos emolumentos cartorários (escritura e registro). Ele não se aplica ao ITBI — esse é um tributo municipal separado, cobrado pela Prefeitura.
Como Fazer a Escritura na Prática
Para imóveis sem financiamento bancário (compra à vista ou financiamento direto com o vendedor):
- Combine com o vendedor qual Tabelionato de Notas vocês vão usar (qualquer tabelionato do município pode lavrar a escritura)
- Providencie o pagamento do ITBI (sem o comprovante, o tabelionato não lavra a escritura)
- Apresente os documentos: RG, CPF, comprovante de estado civil, comprovante de residência, certidões do imóvel, matrícula atualizada
- O tabelionato elabora a minuta da escritura — confirme todos os dados antes de assinar
- Ambas as partes assinam na presença do tabelião
- Com a escritura lavrada, leve ao Cartório de Registro de Imóveis para registro na matrícula
Para imóveis com financiamento bancário (SFH, MCMV):
O banco emite o contrato de financiamento com força de escritura pública. Você não vai ao Tabelionato de Notas. O contrato já vai direto para o CRI para registro. O processo é mais simples e mais barato.
Quanto Custa o Registro no Cartório de Registro de Imóveis
O registro da escritura (ou do contrato bancário) no CRI é cobrado separadamente. Também é regulamentado por tabela estadual. Costuma ficar entre 0,5% e 1% do valor do imóvel.
Para um imóvel de R$ 350.000, o registro pode custar entre R$ 1.750 e R$ 3.500 — antes do desconto de 50% do Art. 290 para primeiro imóvel via SFH.
Estimativa Total de Custos Cartorários
Para um primeiro imóvel de R$ 350.000 financiado via SFH, com aplicação do desconto do Art. 290:
- Escritura (se necessária): isenta no financiamento bancário
- Registro no CRI: aproximadamente R$ 1.200 a R$ 2.000 com 50% de desconto (varia por estado)
- ITBI: R$ 10.500 (São Paulo, 3%) — sem desconto
O total de custos cartorários e tributários para esse perfil fica em torno de R$ 12.000 a R$ 14.000, dependendo do município e do estado.
Prazo do Processo
Da assinatura do contrato até o registro definitivo no CRI, o processo típico leva de 30 a 60 dias. O gargalo costuma ser a análise de crédito bancária e a emissão do ITBI pela Prefeitura.
Entender o custo real da formalização imobiliária — escritura, registro e ITBI — evita que você chegue ao cartório sem capital suficiente para concluir a compra. O Guia para Comprar seu Primeiro Imóvel no Brasil inclui o modelo da declaração para solicitar o desconto do Art. 290, com orientações para casos em que o cartório resiste à aplicação do benefício.
Get Your Free Brazil — Quick-Start Checklist
Download the Brazil — Quick-Start Checklist — a printable guide with checklists, scripts, and action plans you can start using today.