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Como Evitar Custos Ocultos na Compra do Primeiro Imóvel no Brasil

O maior choque financeiro na compra do primeiro imóvel no Brasil não é a entrada. É descobrir, semanas antes da assinatura, que você precisa de R$12.000 a R$21.000 em dinheiro vivo — além do valor financiado e da entrada — para pagar ITBI, cartório, avaliação bancária e uma lista de taxas que ninguém mencionou na hora de mostrar o apartamento. Num imóvel de R$300.000, esses custos de fechamento representam 4% a 7% do valor do bem. Os seguros habitacionais entram na prestação e devem ser considerados à parte. E a maioria dos compradores de primeira viagem só descobre essa conta quando já se comprometeu com o contrato.

Os bancos tradicionais não costumam financiar integralmente esses custos. Reserve recursos próprios para a parcela não financiada e mantenha o valor disponível antes da escritura ou do registro do contrato bancário, conforme o caso. Quem não mapeia esses custos com antecedência arrisca uma de três coisas: atrasar a compra, contrair dívida cara (cheque especial, cartão) para cobrir a diferença, ou perder o sinal já pago por não conseguir fechar.

O Mapa Completo dos Custos de Fechamento

Cada custo abaixo incide sobre a transação independentemente do valor do imóvel. A diferença é a magnitude — e o fato de que a maioria não aparece na simulação de financiamento do banco.

1. ITBI — Imposto de Transmissão de Bens Imóveis

O ITBI é um tributo municipal cobrado sobre a transferência de propriedade. A alíquota varia por cidade:

Município Alíquota ITBI Valor num imóvel de R$300K
São Paulo 3% R$9.000
Rio de Janeiro 3% R$9.000
Belo Horizonte 3% R$9.000
Curitiba 2,7% R$8.100
Porto Alegre 3% R$9.000
Recife 3% R$9.000
Brasília 3% R$9.000

Algumas cidades oferecem desconto para o primeiro imóvel adquirido pelo SFH — mas a isenção não é automática. Em São Paulo, imóveis financiados pelo SFH com valor até determinado teto podem ter base de cálculo reduzida. É preciso verificar a legislação municipal específica e, em muitos casos, solicitar o benefício antes do vencimento da guia.

O ITBI é o maior custo de fechamento isolado. Para um imóvel de R$300.000 em São Paulo, são R$9.000 que precisam estar na conta antes da escritura ou do registro do contrato bancário, conforme o caso. Leia mais no guia de cálculo do ITBI.

2. Emolumentos de Cartório (Registro + Escritura)

O cartório cobra pelos atos de registro de imóveis (transferência da propriedade para seu nome) e, quando aplicável, pela lavratura da escritura pública. As tabelas de emolumentos são estaduais — cada estado define seus valores.

Para um imóvel de R$300.000, os emolumentos totais costumam ficar em torno de 1% a 1,5% do valor, ou aproximadamente R$3.000 a R$4.500, dependendo do estado.

É aqui que entra o Art. 290 da Lei 6.015/73. Se o imóvel é o primeiro adquirido pelo comprador, financiado pelo SFH e destinado à moradia própria, os emolumentos de registro e averbação abrangidos pelo benefício são reduzidos em 50% por força de lei. O desconto não é concedido automaticamente — precisa ser exigido por escrito no momento da prenotação. Num imóvel de R$300K, a economia depende da tabela estadual e dos atos abrangidos. Detalhamos o procedimento completo no artigo sobre o Art. 290.

3. Avaliação Bancária (Taxa de Engenharia)

Antes de liberar o financiamento, o banco envia um engenheiro para avaliar o imóvel. Essa taxa varia entre R$700 e R$3.500, dependendo do banco e do valor do imóvel. A Caixa costuma cobrar entre R$800 e R$2.500.

A avaliação bancária determina o valor de mercado do imóvel para fins do financiamento — se o banco avaliar abaixo do preço de compra, o valor financiado será menor e você precisará cobrir a diferença com recursos próprios.

4. Seguros habitacionais obrigatórios (MIP e DFI)

Todo financiamento habitacional pelo SFH exige dois seguros obrigatórios: Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos ao Imóvel (DFI). Eles são embutidos na parcela mensal, e o custo varia conforme o perfil do mutuário, o imóvel e as condições do contrato.

Não é exatamente um custo "oculto" de fechamento, mas a maioria dos compradores não percebe que parte da parcela mensal corresponde a seguros, não à amortização do principal. Consulte a composição da parcela e o custo total no contrato.

5. Comissão do Corretor

Na compra de imóveis usados, a comissão do corretor corresponde tipicamente a 5% a 6% do valor de venda, conforme o estado. Em lançamentos, a construtora pode embutir a comissão no preço ou cobrá-la do comprador de forma destacada, conforme o contrato.

A dúvida mais comum: quem paga o corretor? Formalmente, quem contrata paga. Na prática de mercado, o vendedor paga na maioria das transações de usados. Mas isso não é lei — é negociação. Entenda os detalhes no artigo sobre comissão do corretor.

6. Certidões de Due Diligence

As 7 certidões essenciais da due diligence imobiliária custam entre R$200 e R$400 no total — certidão de inteiro teor, ônus reais, IPTU, certidões do vendedor (cível, trabalhista, federal, protestos). Não é o maior custo, mas é o mais ignorado: a maioria dos compradores de primeira viagem não sabe que essas certidões existem, não emite, e assume o risco de comprar um imóvel penhorado ou de vendedor inadimplente.

7. Taxa de Evolução de Obra (Imóvel na Planta)

Se o imóvel é comprado na planta, há um custo que não existe na compra de usados: a Taxa de Evolução de Obra. Durante a construção, o financiamento já está ativo, mas o banco libera o valor em parcelas para a construtora conforme a obra avança. Você paga juros sobre o valor liberado — sem amortizar o principal. É dinheiro que sai do seu bolso sem reduzir a dívida. O total depende do cronograma da obra, das liberações e da taxa do contrato; peça uma projeção antes de assinar. Veja a análise detalhada no artigo sobre taxa de evolução de obra.

Simulação Completa: Custos de Fechamento em São Paulo

Para um imóvel de R$300.000 financiado pelo SFH (primeiro imóvel, moradia própria):

Custo Valor sem Art. 290 Valor com Art. 290
ITBI (3% em SP) R$9.000 R$9.000
Cartório (atos abrangidos pelo Art. 290) R$5.000 R$2.500
Avaliação bancária R$1.500 R$1.500
Certidões de due diligence R$300 R$300
Total cash-to-close R$15.800 R$13.300

A economia do Art. 290 neste cenário é de R$2.500, assumindo que a cobrança ilustrativa de R$5.000 corresponda integralmente aos atos abrangidos. O valor real depende da tabela estadual e dos atos praticados — confirme o cálculo antes de contar com a economia.

Não estão incluídos na tabela: seguros habitacionais MIP e DFI (embutidos na parcela mensal), comissão do corretor (paga pelo vendedor na maioria dos casos de usados), e taxa de evolução de obra (aplicável apenas a imóveis na planta).

Como Calcular Seu "Cash to Close" Real

O passo a passo:

  1. Descubra a alíquota de ITBI do seu município. Acesse o site da Prefeitura ou ligue para a Secretaria de Finanças. Aplique sobre o valor venal ou o valor de transação — o que for maior.

  2. Consulte a tabela de emolumentos do seu estado. Os Tribunais de Justiça estaduais publicam as tabelas anuais. Verifique se você se qualifica para o desconto do Art. 290.

  3. Pergunte ao banco o valor da taxa de avaliação. Faça isso na pré-aprovação, antes de se comprometer com o imóvel.

  4. Provisione R$300-400 para certidões. Emita todas as 7 certidões da due diligence antes de assinar qualquer compromisso.

  5. Se for imóvel na planta, calcule a taxa de evolução de obra. Peça à construtora a projeção do cronograma físico-financeiro e calcule os juros sobre cada liberação parcial.

  6. Some tudo. Esse é o valor que precisa estar na conta corrente — não no FGTS, não em investimentos com resgate em D+30.

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Para Quem É Este Guia

  • Compradores de primeiro imóvel que querem saber o custo total real antes de se comprometer
  • Quem já foi pré-aprovado no financiamento mas não sabe quanto precisa ter além da entrada
  • Casais que estão juntando dinheiro e precisam definir a meta correta de poupança (entrada + custos de fechamento)
  • Quem está comparando imóveis em cidades diferentes e quer entender como o ITBI e os emolumentos variam

Para Quem NÃO É

  • Investidores experientes que já passaram por múltiplas transações e conhecem os custos
  • Quem já tem advogado ou despachante cuidando de toda a documentação e quer apenas delegar

Perguntas Frequentes

Qual é o maior custo oculto na compra de um imóvel? O ITBI. Em cidades com alíquota de 3% (São Paulo, Rio, BH, Porto Alegre), ele representa R$9.000 num imóvel de R$300.000. É um tributo municipal que precisa ser pago antes da escritura ou do registro do contrato bancário, conforme o caso, geralmente com recursos próprios. Muitos compradores confundem ITBI com "taxa de cartório" e só descobrem o valor real quando a guia chega.

Posso financiar os custos de fechamento? Na regra geral, não. O ITBI, os emolumentos de cartório e a avaliação bancária são pagos com recursos próprios. Se uma modalidade ou programa oferecer condição específica para incluir parte dos custos, confirme-a com o banco antes de contar com esse recurso. No financiamento convencional pelo SFH, o "cash to close" precisa estar disponível fora do valor financiado.

Como o Art. 290 reduz os custos? O Artigo 290 da Lei 6.015/73 garante 50% de desconto nos emolumentos dos atos de registro e averbação abrangidos pelo benefício quando três condições são atendidas: (1) primeiro imóvel do comprador, (2) financiamento pelo SFH, (3) moradia própria. Num imóvel de R$300K, a economia depende da tabela estadual e dos atos abrangidos. O cartório não concede o desconto espontaneamente — é preciso apresentar uma declaração formal citando o artigo. O Dossiê do Comprador inclui a minuta dessa declaração pronta para uso.

Os custos são os mesmos em todo o Brasil? Não. O ITBI varia por município, e os emolumentos de cartório variam por estado. Um mesmo imóvel de R$300.000 pode ter custos de fechamento diferentes em Recife e São Paulo conforme a alíquota municipal, a tabela de emolumentos e as taxas da operação. As certidões de due diligence também têm preços estaduais diferentes. Por isso, calcular os custos para o seu município específico é essencial.

Quanto devo ter de reserva além da entrada? A recomendação conservadora é provisionar 6% a 8% do valor do imóvel para custos de fechamento. Num imóvel de R$300.000, isso significa R$18.000 a R$24.000. Se você se qualifica para o Art. 290, pode reduzir essa margem para 5% a 7%. E reserve adicionalmente 3 a 6 meses de parcela como fundo de emergência pós-compra — a última coisa que você quer é ficar inadimplente no primeiro trimestre.

A taxa de evolução de obra é um custo obrigatório? Pode ser cobrada de quem compra na planta com financiamento bancário quando estiver prevista no contrato. Durante a construção, você paga juros sobre o valor que o banco já liberou para a construtora, sem amortizar o principal. O total depende do cronograma da obra, das liberações e da taxa contratada; peça uma projeção antes de assinar e inclua o valor no planejamento financeiro. Detalhamos essa armadilha no artigo sobre taxa de evolução de obra.


O Dossiê do Comprador — Guia para Comprar seu Primeiro Imóvel no Brasil mapeia todos os custos de fechamento com variações por município (SP, RJ, BH, Curitiba, POA, Recife, Brasília e outras capitais), inclui a planilha de "cash to close" preenchível, a minuta do requerimento do Art. 290 para o cartório e o sistema completo de 7 certidões para a due diligence. Tudo por $29 — menos do que o desconto do Art. 290 sozinho já te economiza.

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